Ontem comemoraram-se os 20 anos da queda do muro de Berlim. Concertos, reportagens, documentários e todo o bla-bla de costumo. Os medias embalaram-se e festejaram juntos este símbolo da liberdade. Foi tudo muito lírico, recheado de belas imagens, de bons sentimentos e de belos discursos. Ontem o mundo ocidental olhou para o seu passado e com uma hipócrita solidariedade orgulhou-se por viver hoje num mundo livre, um mundo sem murros.
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A historia passa-se numa aldeia que vive do turismo, so que devido a crise não há turistas. Para sobreviver, os habitantes emprestam dinheiro uns aos outros. Os meses passam e a situação continua complicada. Um dia, finalmente, aparece um turista que pede um quarto no hotel da aldeia. Ele paga com uma nota de 100€. Enquanto o turista sobe até o seu quarto, o dono do hotel vai até o talho pagar a sua divida com a nota de 100€ . A seguir o dono do talho vai até o seu fornecedor de carne a quem ele também deve 100€. O agricultor, por sua vez, vai ter com a prostituta pagar a sua divida. A prostituta fecha o ciclo e vai ao hotel pagar o quarto que ela usou a semana passada. Ela deixa a nota de 100€ na recepção e o turista que tinha acabado de dizer ao dono do hotel que o quarto não era do seu agrado pega no seu dinheiro e vai embora.
Nada foi gasto, nada foi ganho nem perdido. Mas agora mais ninguém nesta aldeia tem dividas. Não é assim que estamos a resolver a crise mundial?
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Há um coisa que não compreendo: como podem políticos e o seus respectivos militantes gritar “vitoria, vitoria!“, pronunciar discursos cheios de triunfalismo com grandes sorrisos quando se sabe que a abstenção atingiu ontem 60%?! Como é possível?!
Um partido politico é um órgão essencial da democracia e cada politica ou militante envolvido numa organização semelhante deveria antes de preocupar-se com a vitoria do seu campo preocupar-se com a democracia e o seu bom funcionamento. Quando os resultados afirmam que em cada 5 portugueses 3 não votaram e viraram as costas a democracia deveria haver muita preocupação e muitas perguntas na cabeça e nos discursos dos dirigentes políticos. Mas não foi isso que vi e ouvi.
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Foi no dia 14 de Setembro passado que o banco Lehman Brothers faliu, assim começou a crise financeira. Um mês e meio depois, os especialistas concordam: esta crise devia servir de lição que tínhamos que aprender e sobretudo mudar. Fala-se nos limites do capitalismos, na regulação, num liberalismo mais social mais perto da realidade … Mas até hoje isto não passou de palavras e opiniões, actos ainda não os vi!
Em tempos de crise, temos que ajudar os que mais precisam, e se há alguém que bem precisa de ajuda são os bancários.
Ricardo Araújo Pereira
A crise (ainda?) não mudou nada. O sistema continua com o mesmo defeitos: os estados apoiam os grandes bancos com milhares de milhões quando há uns meses atrás os mesmos estados afirmavam que eram incapazes de investir os 30 mil milhões de € anuais necessários para acabar com a fome no mundo. Este mundo anda tolo.
Ha outra coisa que ainda hoje não percebi … porque é que os grandes dirigentes optarem por curar a crise por cima investindo rios de dinheiro nas grandes instituições bancarias? Porque não curar a crise por baixo e limpar as dividas das vitimas dos subprimes, das famílias que mais precisam, das empresas estratégicas para o crescimento da economia? Afinal nada muda … e esta de um novo liberalismo mais regulado e mais perto da realidade é mais uma grande treta.
Infelizmente acho que nada vai mudar. Creio que esta crise é visto pelos olhos dos grandes dirigentes mundiais como sendo apenas mais uma crise (e não aquele sinal de alarme preocupante indicando que chegou o tempo de mudar).
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Uma coisa é certa: todos vão subir consequências da crise financeira que estamos a viver. A imagem do efeito dominó, a crise do sistema liberal vai afectar todos os continentes, todas as esferas sociais, todos os sectores económicos.
Como sabemos a maior parte dos clubes de futebol são mal geridos e raro são aqueles que não são endividados (Clubes Ingleses devem 6 mil milhões de dollars). Quem diz dividas diz bancos. Os clubes de futebol vivem dos empréstimos bancários e hoje como lemos em todos os jornais os bancos estão mal.
Primeira consequência: os bancos vão cada vez menos emprestar dinheiro (sobretudo a quem não paga). Portanto dificilmente sobreviverão as transferências milionárias pagas graças ao empréstimos.
Segunda consequência: os bancos vão querer ir buscar o que é deles, ou seja vão querer que os clubes de futebol pagam as suas dividas. Como pode um clube de futebol reduzir a sua divida? Existe duas opções que idealmente devem ser conjugadas: maximizar os volume de negocio e diminuir os custos.
E nesta era que os mundo do futebol vai entrar: a era da racionalização, da gestão, das contas equilibradas. Acabaram-se transferências milionárias, os salários altíssimos (Mourinho já admitiu reduzir o seu salário se for preciso e fala-se de um plafond salarial estabelecido pela a UEFA) e as despesas inúteis.
Sera isto mau para o futebol?
Não! Muito pelo contrario. Hoje o futebol profissional vive desconectado da realidade. Os jogadores são mercenários que jogam a pensar nos contratos que poderão assinar. Os clubes tornaram-se em sociedades de capital de risco que compram activos com alto potencial por pouco dinheiro (jovem jogador com potencial), que maximizam o seu valor e que vende-os a outros sociedades de capital de risco por um valor superior (ex: Pepe, Anderson, Nani). Ja não se pensa em construir grande equipas, ja não se pensa no espectáculo: os actores e os espectadores do mundo do futebol vivem cada vez mais longe um do outro e o problema é que os actores vivem graças aos espectadores …
Esta crise permitira voltarmos a essência do futebol. Os clubes deverão apostar mais na formação e nos jogadores locais (por ser mais barato), no espectáculo (para gerar mais receitas), deverão pensar mais, gastar menos, ter plantel mais razoáveis. Os jogadores passarão a ganhar salários mais razoáveis (para diminuir os custos) a ficar mais tempo no mesmo clube (porque cada vez menos haverá dinheiro para transferências) e a jogar para ganhar e para o espectáculo (fala-se cada vez mais em contratos variáveis baseado nos resultados.
Afinal a crise é positiva!
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